terça-feira, 3 de agosto de 2010

PARCERIA E JEITINHO EM TERRAS AFRICANAS

PARCERIA E JEITINHO EM TERRAS AFRICANAS

Cresce a presença brasileira na África, onde as carências se confundem com oportunidades de negócio
Brasil e África estão deixando de ter em comum apenas a afinidade étnica, um enraizado amor pela música e o compartilhamento de um legado escravagista que nada tem de glorioso. Neste começo de século 21, brasileiros e africanos residentes ao sul do Saara estão se tornando também importantes parceiros comerciais.
Há anos, o volume de negócios entre o Brasil e alguns países africanos – especialmente Angola e África do Sul – vem crescendo tanto que esse mercado é hoje o quarto mais importante para produtos brasileiros, principalmente industrializados. Máquinas, automóveis, artigos de informática, eletrodomésticos, alimentos enlatados compõem 80% de nossa pauta de exportações para aquele continente.

As vendas para o Brasil, por sua vez, também vêm aumentando, e as enormes quantidades de petróleo nigeriano que chegam todos os anos aos portos brasileiros são as responsáveis pelo pequeno superávit em favor do continente africano.

No total, o volume de negócios envolvido nessa corrente de comércio saltou de US$ 3,5 bilhões em 1997 para espantosos US$ 15,6 bilhões em 2006, ano em que US$ 7,4 bilhões em mercadorias saíram do Brasil para o outro lado do Atlântico. Em 2007, foram US$ 8,5 bilhões – valor oito vezes maior do que o do começo dos anos 1990, quando as vendas para a África não passavam de US$ 1 bilhão, e quatro vezes o de 2001, quando as exportações somaram cerca de US$ 2 bilhões.
"O mercado africano é carente de produtos industrializados, já que as fábricas estão concentradas na África do Sul, país responsável pela metade da produção industrial e por quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente", diz Adalberto Camargo Jr., secretário-geral da Câmara de Comércio Afro-Brasileira, sediada em São Paulo. "Se o Brasil souber aproveitar o espaço que já conquistou e detectar novas oportunidades, poderá vir a desempenhar um papel fundamental na economia da região."

De acordo com Camargo, em alguns países isso já está acontecendo. Em 2006, Angola adquiriu de empresas brasileiras o equivalente a US$ 836 milhões, uma elevação de 60% na comparação com 2005. Já as vendas para o Congo aumentaram 15 vezes desde 2002. Para a própria África do Sul, o crescimento das exportações foi de 205%, e para a Guiné Equatorial, somente entre 2006 e 2007, de 220%.

Construtoras
Diga-se que não são apenas as indústrias que estão marcando presença no mercado de consumo africano. Também mal servida de infra-estrutura, a África está se tornando, igualmente, um paraíso para as construtoras brasileiras – como Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, que na verdade estão presentes na região desde o começo dos anos 1970, quando eram uma espécie de ponta-de-lança econômica da diplomacia terceiro-mundista do regime militar, abandonada depois pelos governos civis. Nos últimos anos, essas empresas expandiram de maneira significativa suas operações no continente.

Angola, por exemplo, já representa para a Odebrecht um faturamento anual de US$ 900 milhões, advindos de setores como estradas, portos, diamantes e mercado imobiliário. A empresa ergueu o primeiro shopping center do país, localizado na capital, Luanda. Já a Camargo Corrêa vai construir a maior usina hidrelétrica do continente, para abastecer a África do Sul, e está igualmente bem instalada em Angola e Moçambique. A construtora prepara-se agora para operar na Namíbia, no Zimbábue e em Botsuana, e deverá destinar US$ 60 milhões nos próximos dois anos à consolidação dos vários mercados em que atua. Por sua vez, a Andrade Gutierrez está presente em países como Angola, Guiné Equatorial e Camarões, e pretende estender as atividades à República do Congo. Desde 2004, a empresa já investiu US$ 52 milhões na região.

Petróleo e mineração são outras duas áreas hoje com forte presença brasileira. Especializada na exploração petrolífera em águas profundas, a Petrobras está desenvolvendo projetos em quase uma dezena de países africanos, como Angola, Nigéria e Tanzânia. Desde o final da década de 1990, os investimentos da empresa naquele continente ultrapassaram US$ 2 bilhões, e até 2012 serão mais US$ 1,4 bilhão.

De seu lado, a companhia Vale participa de projetos de mineração em Angola, Moçambique, África do Sul, Gabão, Congo e Guiné. Uma das maiores apostas da mineradora brasileira é a gigantesca mina de carvão de Moatize, em Moçambique – em breve, a empresa deverá implantar um terminal para exportação.

E não é apenas o mercado constituído por essa infra-estrutura de cunho mais tradicional que está sendo ocupado pelos brasileiros. Uma equipe da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) está, por exemplo, simplesmente montando o Banco Central de Angola. E coube a uma empresa de Belo Horizonte, a Mysky Tecnologia, informatizar os sistemas de controle de companhias aéreas de Angola, Cabo Verde, Nigéria e Congo.

"Os africanos se encantaram com o nosso software, que é capaz de gerenciar com simplicidade e baixo custo desde os cronogramas de vôo e a venda de passagens até o check-in de aeronaves", afirma Fernanda Correia Franco, gerente administrativa e financeira da companhia.

A Mysky também presta consultoria e assistência técnica às companhias aéreas que compraram seu produto naquele continente. Aliás, o pessoal da empresa faz parte da crescente legião de brasileiros que hoje vão a trabalho ou mesmo vivem nos países africanos, principalmente nos de língua portuguesa, atraídos pelos salários generosos e oportunidades de negócios. Eles já somariam 20 mil apenas em Angola.

Opção
Ainda que as companhias brasileiras tenham sempre preferido investir nos mercados bem mais consolidados das Américas e da Europa, e mais recentemente na afluente China, não é difícil entender o porquê desse repentino interesse pelo continente africano. Está no cerne dessa ofensiva o desejo – cada vez mais explícito – de reverter uma histórica dificuldade do Brasil para vender, no mercado internacional, alguma coisa além de grãos, minérios e artigos industriais semi-acabados ou de baixo conteúdo tecnológico, que ainda perfazem três quartos das exportações nacionais.

A "cartada africana" é uma tentativa brasileira, sem dúvida atrevida, mas que está se mostrando eficaz, de adensar seu portfólio e se afirmar, no mundo globalizado, como um player econômico mais qualificado e de maior peso específico, posição que ocupa hoje apenas em relação a seus vizinhos do Mercosul. Apesar de estar entre as dez maiores economias do planeta, o Brasil participa com somente 1% do comércio mundial, e a sua imagem internacional é ainda a de um mero exportador de bens primários.

Muitos empresários brasileiros perceberam que está na África a oportunidade, tantas vezes negada, de finalmente desembarcar no mercado externo, sem enfrentar tantas barreiras tarifárias ou mesmo políticas, os produtos de maior conteúdo tecnológico que fabricam (de qualquer forma, não muito numerosos), assim como serviços de engenharia civil e de mineração, estes sim tidos como dentre os melhores do mundo, porém historicamente tolhidos quase em toda parte pelos fortes e capitalizados concorrentes europeus, americanos e asiáticos.

"A África é, sem dúvida, um mercado bastante promissor", atesta Nelson Delduque, diretor de mercado externo da poderosa Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). "Não é nem de longe um mercado virgem – a Alemanha exporta muita máquina para a África do Sul, por exemplo, e a China também começa a se fazer mais presente nesse segmento. Mas ali, pelo menos, temos espaço para concorrer em igualdade de condições."

Laptops
O curioso é que coube aos próprios países desenvolvidos e à China abrir a fresta por onde os brasileiros agora estão entrando. Pelo menos desde a virada dos anos 2000, quando ficou claro que a Guerra Fria já era mesmo coisa do passado, a África subsaariana deixou de ser considerada somente um território devorado pelo subdesenvolvimento crônico, miséria, genocídio, corrupção e sem nenhuma esperança de futuro.

Esses anjos do apocalipse estão ainda presentes na África, é claro – basta lembrar a feroz conflagração tribal que arrasou, no começo deste ano, o até então próspero Quênia, e as lutas intermináveis em Serra Leoa, no Sudão e na Somália –, mas hoje quem se destaca na paisagem africana, seja urbana ou rural, são os executivos munidos de celular e laptop, vindos quase sempre das partes mais ricas do planeta.

"Muitos países africanos estão forrados de petróleo e de minérios, e o crescimento da procura internacional por esses produtos, que fez seus preços dispararem, atraiu para o continente os investimentos externos", explica Cláudio Oliveira Ribeiro, professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pesquisador do Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni) da USP. "A África está experimentando seu melhor período de expansão econômica desde o fim do período colonial, nos anos 1960 e 70."

De fato, há hoje pouquíssimos lugares no mundo onde a economia esteja crescendo com tamanha velocidade como na África – a média do continente foi de 6,1% em 2007, com previsão de 7% para 2008. Na América Latina, o índice no ano passado foi de 5,2%. Angola, que literalmente nada em petróleo, apresentou uma expansão de 23% no PIB no ano passado, e calcula-se que haverá duplicação até 2010, passando dos atuais US$ 53 bilhões para mais de US$ 100 bilhões.

Estados Unidos, França – país que dividiu com a Grã-Bretanha boa parte do território da África durante o período colonial, cuja fase africana começou no último quarto do século 19 – e China estão sendo os motores da atual expansão da economia do continente. Mas é a nova e milenar potência do Extremo Oriente que vem fazendo as apostas mais altas, até por sua premente necessidade de petróleo e minérios.

A África já se tornou, sem dúvida, um dos pilares da babélica economia chinesa, do que dá conta o crescimento do fluxo comercial entre as duas regiões: foi de US$ 50 bilhões em 2006, volume cinco vezes maior do que no ano 2000. O interesse da China no continente é tão grande que o esforço de seus empresários está sendo cada vez mais reforçado pelo dos diplomatas.

Uma cúpula sino-africana realizada na China em 2006 reuniu, por exemplo, nada menos do que 54 chefes de Estado africanos. As linhas de crédito chinesas para o continente já superam os US$ 50 bilhões (incluindo os US$ 4 bilhões para Angola concedidos logo nos primeiros contatos entre os dois países). Construtoras chinesas ergueram a sede do Ministério do Exterior na Nigéria, por um custo 30% menor e em dois terços do prazo previsto, e depois de pronto o prédio avisaram, com um sorriso nos lábios, que a construção não tinha custado nada, era um presente chinês para os nigerianos.

Nesse quesito, entretanto, os chineses estão encontrando no Brasil um rival de respeito. O atual governo brasileiro está sendo também bastante proativo na ajuda aos empresários nacionais em sua aventura africana.

Viagens
Revertendo o maldisfarçado desinteresse do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) por aquele continente – FHC sempre demonstrou preferência por inserir melhor o Brasil nos mercados do mundo desenvolvido e do Mercosul, aliás, uma política comum aos presidentes brasileiros desde o fim do ciclo militar –, o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, não tem poupado energia para fazer da África um mercado de ponta para o país.

Sabedor da importância que têm, para os países africanos, visitas de chefes de Estado estrangeiros para a posterior abertura de negócios – e consciente também do que significam essas viagens para a ceva de certas ambições políticas brasileiras, como a de conquistar um assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) –, Lula já visitou nada menos que 19 países da região desde que assumiu a presidência. O número de embaixadas no continente aumentou de 16, em 2003, para mais de 40, e as missões diplomáticas em Brasília, igualmente 16 naquela época, já eram 24 no final do ano passado.

Mais revelador ainda do papel do governo de Lula são os generosos subsídios brasileiros fornecidos aos países da África de língua portuguesa, como Angola e Moçambique. O Brasil abriu uma linha de crédito de US$ 1 bilhão para o governo de Angola e perdoou quase toda a dívida de Moçambique contraída com o país: US$ 315 milhões, de um total de US$ 330 milhões.

Não é à toa que as empresas brasileiras domiciliadas em Angola (quase todas elas conectadas com a construção civil ou de serviços de informática e fast food) já respondam por cerca de 10% do PIB angolano, e o mercado africano como um todo represente hoje 10% da pauta comercial do Brasil – o mesmo patamar dos anos 1970, e mais que o dobro do que vigorou de 1985 a 2003.

"O governo brasileiro está realmente olhando de novo para a África", diz o secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral. "As ações não têm sido apenas diplomáticas. O MDIC e vários outros órgãos vêm também realizando um intenso trabalho de prospecção e divulgação comercial do Brasil no continente, e o ministério até já lançou linhas de crédito para aqueles que quiserem exportar para lá." Uma delas, segundo Barral, prevê a liberação de R$ 2 milhões para empresas brasileiras interessadas em fechar parcerias comerciais na África.

Há também um fator nada desprezível que vem jogando a favor dos brasileiros em suas incursões no continente africano: em Angola e Moçambique, além de alguns outros pequenos países como Cabo Verde, fala-se o português, e a identificação étnica e cultural com o Brasil facilita bastante as coisas. As novelas e as músicas brasileiras fazem sucesso absoluto em Angola, por exemplo: o cantor e compositor Martinho da Vila é, ali, quase visto como um deus.

Os produtos brasileiros também são envolvidos por essa boa imagem nos territórios de língua portuguesa, e mesmo nos de outros idiomas. O Brasil tende a ser considerado como um irmão mais velho bem-sucedido, e não como um pai ou tio paternalista, como até Portugal não deixa um pouco de parecer perante os angolanos e moçambicanos – e na África tão recentemente descolonizada, a desconfiança em relação aos "brancos colonialistas" é, compreensivelmente, ainda muito grande.

O velho "jeitinho brasileiro" também vem cumprindo sua parte – principalmente, outra vez, nos países de língua portuguesa. Bem mais maleáveis para os negócios do que europeus, asiáticos e americanos, e mais acostumados com as arbitrariedades da burocracia e – é preciso dizer logo – com a corrupção, ainda bastante presente na África, os empresários brasileiros sabem se virar bem no algo pedregoso terreno empresarial africano.

Questão de fôlego
"Praticamente todas as companhias que exportam continuamente para Angola, por exemplo, o fazem através de parcerias com empresas portuguesas ou do próprio país", diz Alexandre Moura, diretor da Light Infocon, empresa paraibana da área de tecnologia da informação e que há anos faz negócios com o país em associação com portugueses. "Ninguém vai às cegas."

O principal desafio do Brasil para aumentar a participação no mercado africano está em conseguir manter o fôlego atual, e isso não será fácil. Nas ex-colônias britânicas e francesas, empresas dessas antigas metrópoles – secundadas pelas dos seus primos da União Européia e dos Estados Unidos – começam a entabular um pequeno negócio atrás do outro e a fechar os espaços. A China, cujo apetite está, por enquanto, mais voltado para o petróleo, o carvão e o ferro, também logo deverá diversificar o cardápio. São todos países com um bolso muito mais fundo do que o do Brasil e, por isso, capazes de agir de maneira mais lenta e estratégica do que a maior potência latino-americana.

E dinheiro e paciência são fundamentais para participar da economia africana. Abrir um canal de negócios no continente equivale a gastar uma pequena fortuna. Angola, por exemplo, é um dos países com um dos custos de vida mais altos do mundo, e onde a população tem enorme dificuldade até para comprar alimentos – aliás, esse é um cenário que se repete por quase toda a África subsaariana, apesar dos bons índices de crescimento.

Em Luanda, que oficialmente tem hoje no máximo 300 mil habitantes, mas onde o próprio governo trabalha com uma estimativa muito acima de 1 milhão, o bitoque – prato típico composto de arroz, salada de alface e tomate, ovo frito e bife – custa em média US$ 50.

A infra-estrutura do país é terrível até para os padrões brasileiros. Praticamente não há estradas e avenidas em bom estado e, na capital, um trajeto de 10 quilômetros, feito de táxi, pode levar cerca de uma hora e meia e custar US$ 80. A energia elétrica é intermitente, e o serviço telefônico, perto do pavoroso. E os preços dos hotéis chegam a desanimar, de tão altos. Estima-se que uma empresa que queira implantar-se em Luanda vá gastar pelo menos algo entre US$ 400 mil e US$ 500 mil para isso, se quiser se ver livre desses gaps fatais para os negócios.

"Mas, no final das contas, o esforço vale a pena", garante Aldo Dórea Mattos, consultor de engenharia que há anos ajuda a desenvolver grandes projetos viários naquele continente. "Vi miséria em praticamente todos os lugares, tudo é um pouco caótico e a formação profissional dos africanos é incipiente, para dizer o mínimo. Mas hoje existe uma vontade enorme de progredir, e se os brasileiros participarem dessa epopéia certamente não se arrependerão."

Alberto Maeakdiye
Revista Problemas Brasileiros,
nº 387 - mai/jun 2008

"PELO AMOR DE DEUS, PAREM DE AJUDAR A ÁFRICA!"

"PELO AMOR DE DEUS, PAREM DE AJUDAR A ÁFRICA!"

Especialista explica que a ajuda internacional alimenta a corrupção e impede que a economia se desenvolva, o que destrói a produção agrícola e causa desemprego, mais miséria e mais dependência

O especialista em economia James Shikwati, 35, do Quênia, diz que a ajuda à África é mais prejudicial que benéfica. O entusiástico defensor da globalização falou com a SPIEGEL sobre os efeitos desastrosos da política de desenvolvimento ocidental na África, sobre governantes corruptos e a tendência a exagerar o problema da Aids.

DER SPIEGEL - Senhor Shikwati, a cúpula do G8 em Gleneagles deverá aumentar a ajuda ao desenvolvimento da África...

James Shikwati - Pelo amor de Deus, parem com isso!

DS - Parar? Os países industrializados do Ocidente querem eliminar a fome e a pobreza.

Shikwati - Essas intenções estão prejudicando nosso continente nos últimos 40 anos. Se os países industrializados realmente querem ajudar os africanos, deveriam finalmente cancelar essa terrível ajuda. Os países que receberam mais ajuda ao desenvolvimento também são os que estão em pior situação. Apesar dos bilhões que foram despejados na África, o continente continua pobre.

DS - O senhor tem uma explicação para esse paradoxo?

Shikwati - Burocracias enormes são financiadas (com o dinheiro da ajuda), a corrupção e a complacência são promovidas, os africanos aprendem a ser mendigos, e não independentes. Além disso, a ajuda ao desenvolvimento enfraquece os mercados locais em toda parte e mina o espírito empreendedor de que tanto precisamos. Por mais absurdo que possa parecer, a ajuda ao desenvolvimento é uma das causas dos problemas da África. Se o Ocidente cancelasse esses pagamentos, os africanos comuns nem sequer perceberiam. Somente os funcionários públicos seriam duramente atingidos. E é por isso que eles afirmam que o mundo pararia de girar sem essa ajuda ao desenvolvimento.

DS - Mesmo em um país como o Quênia pessoas morrem de fome todos os anos. Alguém precisa ajudá-las.

Shikwati - Mas são os próprios quenianos quem deveria ajudar essas pessoas. Quando há uma seca em uma região do Quênia, nossos políticos corruptos imediatamente pedem mais ajuda. O pedido chega ao Programa Mundial de Alimentação da ONU --que é uma agência maciça de "apparatchiks" que estão na situação absurda de, por um lado, dedicar-se à luta contra a fome, e por outro enfrentar o desemprego onde a fome é eliminada. É muito natural que eles aceitem de bom grado o pedido de mais ajuda. E não é raro que peçam um pouco mais de dinheiro do que o governo africano solicitou originalmente. Então eles enviam esse pedido a seu quartel-general, e em pouco tempo milhares de toneladas de milho são embarcadas para a África...

DS - Milho que vem predominantemente de agricultores europeus e americanos altamente subsidiados...

Shikwati - ... e em algum momento esse milho acaba no porto de Mombasa. Uma parte do milho em geral vai diretamente para as mãos de políticos inescrupulosos, que então o distribuem em sua própria tribo para ajudar sua próxima campanha eleitoral. Outra parte da carga termina no mercado negro, onde o milho é vendido a preços extremamente baixos. Os agricultores locais também podem guardar seus arados; ninguém consegue concorrer com o programa de alimentação da ONU. E como os agricultores cedem diante dessa pressão o Quênia não terá reservas a que recorrer se houver uma fome no próximo ano. É um ciclo simples mas fatal.

DS - Se o Programa Mundial de Alimentação não fizesse nada, as pessoas morreriam de fome.

Shikwati - Eu não acredito nisso. Nesse caso, os quenianos, para variar, seriam obrigados a iniciar relações comerciais com Uganda ou Tanzânia, e comprar alimento deles. Esse tipo de comércio é vital para a África. Ele nos obrigaria a melhorar nossa infra-estrutura, enquanto tornaria mais permeáveis as fronteiras nacionais --traçadas pelos europeus, aliás. Também nos obrigaria a estabelecer leis favorecendo a economia de mercado.

DS - A África seria realmente capaz de solucionar esses problemas por conta própria?

Shikwati - É claro. A fome não deveria ser um problema na maioria dos países ao sul do Saara. Além disso, existem vastos recursos naturais: petróleo, ouro, diamantes. A África é sempre retratada como um continente de sofrimento, mas a maior parte dos números é enormemente exagerada. Nos países industrializados existe a sensação de que a África naufragaria sem a ajuda ao desenvolvimento. Mas, acredite-me, a África já existia antes de vocês europeus aparecerem. E não fizemos tudo isso com pobreza.

DS - Mas naquela época não existia a Aids.

Shikwati - Se acreditássemos em todos os relatórios horripilantes, todos os quenianos deveriam estar mortos hoje. Mas agora os testes estão sendo realizados em toda parte, e acontece que os números foram enormemente exagerados. Não são 3 milhões de quenianos que estão infectados. De repente eram apenas cerca de um milhão. A malária é um problema equivalente, mas as pessoas raramente falam disso.

DS - E por quê?

Shikwati - A Aids é um grande negócio, talvez o maior negócio da África. Não há nada capaz de gerar tanto dinheiro de ajuda quanto números chocantes sobre a Aids. A Aids é uma doença política aqui, e deveríamos ser muito céticos.

DS - Os americanos e europeus têm fundos congelados já prometidos para o Quênia. O país é corrupto demais, segundo eles.

Shikwati - Temo, porém, que esse dinheiro ainda será transferido em breve. Afinal, ele tem de ir para algum lugar. Infelizmente, a necessidade devastadora dos europeus de fazer o bem não pode mais ser contida pela razão. Não faz qualquer sentido que logo depois da eleição do novo governo queniano --uma mudança de liderança que pôs fim à ditadura de Daniel Arap Mois--, de repente as torneiras se abriram e o dinheiro verteu para o país.

DS - Mas essa ajuda geralmente se destina a objetivos específicos.

Shikwati - Isso não muda nada. Milhões de dólares destinados ao combate à Aids ainda estão guardados em contas bancárias no Quênia e não foram gastos. Nossos políticos ficaram repletos de dinheiro, e tentam desviar o máximo possível. O falecido tirano da República Centro Africana, Jean Bedel Bokassa, resumiu cinicamente tudo isso dizendo: "O governo francês paga por tudo em nosso país. Nós pedimos dinheiro aos franceses, o recebemos e então o gastamos".

DS - No Ocidente há muitos cidadãos compassivos que querem ajudar a África. Todo ano eles doam dinheiro e mandam roupas usadas em sacolas...

Shikwati - ... e então inundam nossos mercados com essas coisas. Nós podemos comprar barato essas roupas doadas nos chamados mercados Mitumba. Há alemães que gastam alguns dólares para comprar agasalhos usados do Bayern Munich ou do Werder Bremen. Em outras palavras, roupas que algum garoto alemão mandou para a África por uma boa causa. Depois de comprar esses agasalhos, eles os leiloam na eBay e os mandam de volta à Alemanha -- pelo triplo do preço. Isso é loucura!

DS - ... e esperamos que seja uma exceção.

Shikwati - Por que recebemos essas montanhas de roupas? Ninguém passa frio aqui. Em vez disso, nossos costureiros perdem seu ganha-pão. Eles estão na mesma situação que nossos agricultores. Ninguém no mundo de baixos salários da África pode ser eficiente o bastante para acompanhar o ritmo de produtos doados. Em 1997 havia 137 mil trabalhadores empregados na indústria têxtil da Nigéria. Em 2003 o número tinha caído para 57 mil. Os resultados são iguais em todas as outras regiões onde o excesso de ajuda e os frágeis mercados africanos entram em colisão.

DS - Depois da Segunda Guerra Mundial a Alemanha só conseguiu se reerguer porque os americanos despejaram dinheiro no país através do Plano Marshall. Isso não se qualificaria como uma ajuda ao desenvolvimento bem-sucedida?

Shikwati - No caso da Alemanha, somente a infra-estrutura destruída tinha de ser reparada. Apesar da crise econômica da República de Weimar, a Alemanha era um país altamente industrializado antes da guerra. Os prejuízos criados pelo tsunami na Tailândia também podem ser consertados com um pouco de dinheiro e alguma ajuda à reconstrução. A África, porém, precisa dar os primeiros passos na modernidade por conta própria. Deve haver uma mudança de mentalidade. Temos de parar de nos considerar mendigos. Hoje em dia os africanos só se vêem como vítimas. Por outro lado, ninguém pode realmente imaginar um africano como um homem de negócios. Para mudar a situação atual, seria útil se as organizações de ajuda saíssem.

DS - Se fizessem isso, muitos empregos seriam perdidos imediatamente.

Shikwati - Empregos que foram criados artificialmente, para começar, e que distorcem a realidade. Os empregos nas organizações estrangeiras de ajuda são muito apreciados, é claro, e elas podem ser muito seletivas na escolha das melhores pessoas. Quando uma organização de ajuda precisa de um motorista, dezenas de pessoas se candidatam. E como é inaceitável que o motorista só fale sua língua tribal, o candidato também deve falar inglês fluentemente --e, de preferência, ter boas maneiras. Então você acaba com um bioquímico africano dirigindo o carro de um funcionário da ajuda, distribuindo comida européia e forçando os agricultores locais a deixar seu trabalho. É simplesmente loucura!

DS - O governo alemão se orgulha exatamente de monitorar os receptores de suas verbas.

Shikwati - E qual é o resultado? Um desastre. O governo alemão jogou dinheiro diretamente para o presidente de Ruanda, Paul Kagame, um homem que tem na consciência a morte de um milhão de pessoas --que seu exército matou no país vizinho, o Congo.

DS - O que os alemães deveriam fazer?

Shikwati - Se eles realmente querem combater a pobreza, deveriam parar totalmente a ajuda ao desenvolvimento e dar à África a oportunidade de garantir sua sobrevivência. Atualmente a África é como uma criança que chora imediatamente para que a babá venha quando há algo errado. A África deveria se erguer sobre os próprios pés.



Der Spiegel ,Thilo Thielke
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

terça-feira, 30 de março de 2010

Opep pode abrir as portas ao Brasil após descoberta de petróleo

UOL - ECONOMIA - 30/03/2010

O recente achado no Brasil de uma jazida petrolífera abre as portas da Organização de Países Exportadores de Petróleo ao país, disse nesta terça-feira em Cancún Abdullah Salem el-Badri, secretário-geral da Opep.

"Acabam de fazer (no Brasil) a descoberta de uma grande jazida, o que permite que, talvez em uns cinco anos, a Petrobras ingresse na organização", disse em uma coletiva de imprensa Salem el-Badri, durante o 12º Fórum Internacional de Energia, que ocorre em Cancún.

A Petrobras está "qualificada" para entrar na Opep, mesmo que o Brasil, no setor energético, ainda seja deficiente, porque consome quase toda a sua produção petrolífera, explicou o secretário-geral.

A Petrobras anunciou no dia 16 de março a descoberta de petróleo na Bacia de Sergipe, com capacidade de 15 milhões de barris recuperáveis.

Já a estatal Petróleos Mexicanos, a qualquer momento, "poderá fazer parte da organização", dado que é um país que "não consome toda a sua produção petrolífera", acrescentou Abdullah, após explicar que não é papel da organização convidar novos integrantes.

Venezuela e Equador são os únicos países latino-americanos que formam parte da Opep, enquanto México e Brasil são considerados há alguns anos emergentes no setor.

A Opep busca em Cancún, junto com representantes de mais de 100 países e de empresas privadas de petróleo, encontrar uma saída para evitar a volatilidade de seus preços, como a registrada nos últimos dois anos.


Fonte: http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2010/03/30/

Objetivos de desenvolvimento para o milênio - BRASIL - O que já aconteceu?!

Oi galerinha,

Recebi as últimas notícias do PNUD Brasil (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) que trouxe algumas informações sobre as metas do milênio do nosso país.

Vale a pena conferir!

Bjs!

Segue:


Brasília, 26/03/2010
ODM: o que Brasil já fez e o que falta fazer
Levantamento com base no relatório nacional sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio mostra os avanços feitos em cada meta


O quarto Relatório Nacional de Acompanhamento dos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio), divulgado esta semana, traz uma análise detalhada de vários dados econômicas e sociais ligados ao compromisso firmado pelos países da ONU, em 2000.

O estudo inclui não apenas os indicadores estabelecidos pela ONU, mas também os ligados às metas que o governo federal se autoimpôs e vários outros que ajudam avaliar melhor os avanços e desafios do Brasil nos Objetivos do Milênio. Ao todo, a publicação traz 180 páginas, 27 tabelas e 77 gráficos.

Abaixo, segue um levantamento sumário, que leva em consideração apenas os indicadores relacionados mais diretamente ao texto das metas definidas pela ONU.

ODM 1: Erradicar a extrema pobreza e a fome

Meta 1A: Reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população extremamente pobre
— 1990: 25,6%
— Meta para 2015: 12,8%
— Número mais recente: 4,8% (2008)

Meta 1B: Alcançar o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos
— Não abordada no relatório

Meta 1C: Reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população que sofre de fome
— 1996: 4,2% das crianças estavam abaixo do peso esperado para a idade
— Meta para 2015: 2,1%
— Número mais recente: 1,8% (2006)

ODM 2: Atingir o ensino básico universal

Meta 2A: Garantir que, até 2015, todas as crianças, de ambos os sexos, terminem um ciclo completo de ensino básico
— Número mais recente: 94,9% das crianças de 7 a 14 anos estavam matriculadas no ensino fundamental

ODM 3: Promover a igualdade entre os sexos e autonomia das mulheres

Meta 3A: Eliminar a disparidade entre os sexos no ensino primário e secundário, se possível até 2005, e em todos os níveis de ensino, a mais tardar até 2015
— Números mais recentes (2008): para cada 100 estudantes do sexo masculino havia 93,8 (ensino fundamental), 119,1 (ensino médio) e 133,2 (ensino superior) estudantes do sexo feminino

ODM 4: Reduzir a mortalidade na infância

Meta 4A: Reduzir em dois terços, entre 1990 e 2015, a mortalidade de crianças menores de 5 anos
— 1990: 53,7 mortes por mil nascidos vivos
— Meta para 2015: 17,9
— Número mais recente: 22,8 (2008)

ODM 5: Melhorar a saúde materna

Meta 5A: Reduzir em três quartos, entre 1990 e 2015, a taxa de mortalidade materna
— 1990: 140 óbitos para cada mil nascidos vivos
— Meta para 2015: 35
— Número mais recente: 75 (2007)

Meta 5B: Alcançar, até 2015, o acesso universal à saúde reprodutiva
— 1996: 55% das mulheres de 15 a 49 anos usavam algum tipo de método contraceptivo
— Número mais recente: 68% (2006)

ODM 6: Combater o HIV

Meta 6A: Até 2015, ter detido a propagação do HIV/Aids e começado a inverter a tendência atual
— Número mais recente: 17,9 casos para cada 100 mil habitantes (2007). O relatório indica que as taxas de incidência foram crescentes até 2000 e estão estabilizadas desde então, embora em patamares elevados, comparados a padrões internacionais.

Meta 6B: Alcançar, até 2010, o acesso universal ao tratamento de HIV/Aids para todas as pessoas que necessitem
— Acesso gratuito à terapia antirretroviral na rede pública está previsto na lei 9.313, de 1996.

Meta 6C: Até 2015, ter detido a incidência da malária e de outras doenças importantes e começado a inverter a tendência atual.
Tuberculose
— 2000: 41,2
— 2008: 37,2

Malária
— 1990: 32,0
— 2008: 12,9

ODM 7: Garantir a sustentabilidade ambiental

Meta 7A: Integrar os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e programas nacionais e reverter a perda de recursos ambientais
— Número mais recente: 60,7% do território brasileiro é coberto por floresta natural (2008)

Meta 7B: Reduzir a perda de diversidade biológica e alcançar, até 2010, uma redução significativa na taxa de perda
Flora
— 1992: 108 espécies foram classificadas oficialmente como ameaçadas de extinção
— 2008: 472

Fauna
— 1989: 207 espécies foram classificadas oficialmente como ameaçadas de extinção
— 2003/2005: 627

Meta 7C: Reduzir pela metade, até 2015, a proporção da população sem acesso permanente e sustentável a água potável segura e esgotamento sanitário
Região urbana
— 1992: 17,7% da população não tinha acesso a água encanada
— Meta até 2015: 8,85%
— Dado mais recente: 8,4% (2008)

— 1992: 33,9% da população não tinha acesso a esgotamento sanitário adequado
— Meta até 2015: 16,95%
— Dado mais recente: 19,5% (2008)

Região rural
— 1992: 90,9% da população não tinha acesso a água encanada
— Meta até 2015: 45,45%
— Dado mais recente: 72,6% (2008)

— 1992: 89,7% da população não tinha acesso a esgotamento sanitário adequado
— Meta até 2015: 44,85%
— Dado mais recente: 76,9% (2008)

Meta 7D: Até 2020, ter alcançado uma melhora significativa nas vidas de pelo menos 100 milhões de habitantes de bairros degradados
— 1992: 49,3% da população urbana vivia em moradia inadequada
— Dado mais recente: 34,3% (2008)

ODM 8: Estabelecer Parceria Mundial para o Desenvolvimento

Meta 8A: Avançar no desenvolvimento de um sistema comercial e financeiro aberto, baseado em regras, previsível e não discriminatório
— Não mensurável

Meta 8B: Atender as necessidades especiais dos países menos desenvolvidos Inclui: um regime isento de direitos e não sujeito a quotas para as exportações dos países menos desenvolvidos; um programa reforçado de redução da dívida dos países pobres muito endividados (PPME) e anulação da dívida bilateral oficial; e uma ajuda pública para o desenvolvimento mais generosa aos países empenhados na luta contra a pobreza
— O Brasil vai conceder acesso livre de tarifa e livre de cota aos países de menor desenvolvimento até meados de 2010.

Meta 8C: Atender às necessidades especiais dos países sem acesso ao mar e dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento (mediante o Programa de Ação para o Desenvolvimento Sustentável dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e as conclusões da vigésima segunda sessão extraordinária da Assembléia Geral).
— Não se aplica necessariamente ao Brasil

Meta 8D: Tratar globalmente o problema da dívida dos países em desenvolvimento, mediante medidas nacionais e internacionais de modo a tornar a sua dívida sustentável a longo prazo.Tratar globalmente o problema da dívida dos países em desenvolvimento, mediante medidas nacionais e internacionais de modo a tornar a sua dívida sustentável a longo prazo
— Brasil perdoou US$ 1,25 bilhão em dívida externa desde 2005

Meta 8E: Em cooperação com os países em desenvolvimento, formular e executar estratégias que permitam que os jovens obtenham um trabalho digno e produtivo
— Não se aplica ao Brasil

Meta 8F: Em cooperação com as empresas farmacêuticas, proporcionar o acesso a medicamentos essenciais a preços acessíveis, nos países em vias de desenvolvimento
— Não se aplica ao Brasil

Meta 8G: Em cooperação com o setor privado, tornar acessíveis os benefícios das novas tecnologias, em especial das tecnologias de informação e de comunicações
— Não abordada no relatório


Informações tiradas de: http://www.pnud.org.br/administracao/reportagens/index.php?id01=3439&lay=apu

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

3M - Nossa discussão de hoje!

Meus amores,

Nossa aula de hoje (26.02) ainda não saiu da minha cabeça! Há muitas coisas que eu penso, que eu leio, que eu ouço mas só se encaixam e ganham forma numa aula como aquela.

Quando vocês me questionam o cérebro começa a procurar as informações armazenadas, algumas consolidadas e outras ainda não processadas totalmente.

Como é prazeroso perceber a mente de vocês fazendo ligações tão inteligentes e autônomas!

Chegando em casa há pouco, acessei minha caixa de e-mails e vejam o que eu havia recebido:


Revista Veja
'Jovem enfrentará novo mercado no futuro'
Por Marina Dias

Ao chegar ao mercado de trabalho, dentro de dez anos aproximadamente, os adolescentes que hoje estão nas escolas encontrarão um ambiente substancialmente diferente. A oferta de emprego deverá ser menor do

que a atual, e será fundamental investir no empreendedorismo. A avaliação é de Luiz Carlos Cabrera, consultor de empresas e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). "É hora de se preparar para o novo mercado de trabalho",

alerta. "Será cada vez mais preciso administrar a própria vida". Na entrevista a seguir, ele explica como as escolas devem orientar seus alunos para a futura vida profissional e qual o papel da família nesse processo.



Está mais real do que imaginamos, não é? Mas nosso objetivo e ajudá-los a enfrentar esse futuro!

Conte com a gente!

Bj e um ótimo fim de semana!

Prô Débora

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Argentina X Reino Unido

Olá pessoal,

Quando eu era criança eu sempre ouvia algo sobre a "Guerra das Malvinas". Os adultos falavam bastante nela e a televisão estava sempre comentando.

Hoje, lecionando Geografia, ao tratar de América do Sul, gosto de lembrar desse fato.

Agora há pouco, lendo as notícia do uol, me deparei com a seguinte manchete:

"Prospecção britânica de petróleo nas Ilhas Malvinas reacende as tensões entre a Argentina e o Reino Unido".

Bom, o jornal Le Monde de hoje publicou uma matéria muito interessante sobre o assunto. Segue abaixo para você conferir!

Por

Jean-Pierre Langellier e Marc Roch
No Rio de Janeiro e Londres

"Vinte e oito anos após a Guerra das Malvinas entre o Reino Unido e a Argentina, que custou a vida de 649 soldados argentinos e 255 britânicos, o conflito de soberania sobre esse arquipélago do Atlântico Sul deu lugar, na última semana, a uma batalha de comunicados entre Londres e Buenos Aires.

O conflito em torno das Ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos) ressurgiu após a decisão de Londres de autorizar perfurações petroleiras ao largo desses dois pequenos pedaços de terra fria e pantanosa situados a 600 km da Terra do Fogo, povoados por 3.140 habitantes e 500 mil ovelhas, onde a Union Jack tremula desde 1833. Descartando qualquer ação militar, a Argentina, derrotada em 1982, contra-atacou em 16 de fevereiro, decretando que os barcos que quisessem atravessar as águas de sua zona econômica exclusiva, que se estende por 370 km, para chegar ao arquipélago, deveriam obrigatoriamente pedir uma permissão a Buenos Aires.

Essas autorizações serão concedidas por uma comissão interministerial e todas as mercadorias transportadas de um porto argentino para o arquipélago deverão ser declaradas. Essa medida administrativa visa complicar as explorações petroleiras. Londres reagiu, ressaltando que as regras em vigor nas águas argentinas “não afetariam as águas territoriais das Falklands, que são controladas pelas autoridades da ilha”. Buenos Aires lançou uma campanha diplomática para lembrar seus direitos e mobilizar apoios. Na segunda-feira (22), a presidente Cristina Kirchner obteve o apoio de uma cúpula que reunia no México 32 países da América Latina e do Caribe. Estes votaram uma resolução que exortava Londres a não iniciar a exploração de petróleo. Segundo a Argentina, a Grã-Bretanha viola as resoluções da ONU que determinam que as partes não devem tomar nenhuma decisão unilateral que possa agravar seu conflito.

A campanha de exploração, entretanto, começou na segunda-feira, iniciada pela sociedade britânica Desire. Ela visa avaliar os recursos exploráveis cuja produção só começaria daqui a muitos anos. Em 1998, as companhias Shell e Lasmo apresentaram indícios de petróleo e de gás. Mas elas abandonaram as pesquisas por causa da baixa cotação, na época, do petróleo (US$ 10 o barril). Segundo um estudo da British Geological Society, realizado em 1996, as reservas dos fundos marinhos são tão grandes quanto aquelas encontradas no Mar do Norte: 60 bilhões de barris.

A situação é diferente hoje. Os preços elevados dos hidrocarbonetos, os progressos tecnológicos em matéria de extração em águas profundas e o medo da falta de petróleo reavivaram o interesse pelas águas das Malvinas. Quatro companhias “juniores” se candidataram à exploração: Desire Petroleum, Borders & Southen Petroleum, Rockhopper Exploration, Falklands Oil & Gas. O maior trunfo das Malvinas é a pouca profundidade das águas – 400 metros ao norte e 1,2 quilômetro ao sul - , bem inferior às do golfo do México, do Mar do Norte ou de Angola.

Entretanto, o isolamento geográfico tornaria muito custosa a construção de uma rede de oleodutos que levassem o óleo bruto para as refinarias. Os grandes da indústria, BP, Shell e Exxon, se recusaram a entrar em um projeto muito incerto do ponto de vista político. Os banqueiros das empresas que estão na disputa – HSBC e Barclays – temem o impacto negativo dessa aventura sobre sua imagem na América Latina.

A Grã-Bretanha mantém no local uma guarnição de 1.300 soldados, 4 aviões de combate e um destróier, além de uma guarda costeira. Mas em caso de conflito, Londres seria incapaz de recriar uma força-tarefa marítima como em 1982, por causa de seu envolvimento no Afeganistão e dos cortes feitos na Marinha Real Britânica."



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Quantas pessoas já viveram na Terra? 2

Oi pessoal,

Em outubro eu escrevi aqui sobre um site legal que mostra quantas pessoas há na Terra e, com dados estatísticos bem interessantes, ele mostram em tempo real a evolução do número de habitantes.

Naquela ocasião, postei o seguinte número: 6.797.276.051

Que saber quantas pessoas temos hoje?!?!?!?!

Então, para saber é só clicar em: http://www.worldometers.info/population/

bj

Até mais!