quinta-feira, 2 de abril de 2009

Dá pra acabar com a corrupção no Brasil?

Essa é uma pergunta, pelo menos, interessante!
No site da Abril, na edição 216 da Super, tem algumas respostas à ela.
Por Bruno Vieira Feijó.


Leonardo Boff
Escritor, ajudou a formular a Teologia da Libertação, ala da Igreja católica que dá ênfase à situação social humana.
Não. Corrupção não é um problema do Brasil. O ser humano é como um lenho torto do qual nunca se irá tirar uma tábua reta. Nele constata-se um desejo de poder que só cessa com a morte. Haverá sempre corrupção, ligada a nossa própria natureza desviante.


Robert Levine
Um dos maiores brasilianistas da história,foi diretor do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Miami, EUA.
Para acabar com a corrupção, é preciso que o brasileiro mude sua relação com o "jeitinho". Ao conceder um status neutro ao "jeitinho", uma área cinzenta entre o legal e o ilegal, os brasileiros justificam a própria transgressão.*


Cláudio Abramo
Diretor no Brasil da ONG Transparência Internacional, dedicada a combater a corrupção no mundo.
É possível diminuí-la. Corrupção não depende apenas de pessoas desonestas mas também de oportunidades. Se há oportunidade, há corrupção. Se a oportunidade for dificultada, a corrupção diminui. Leis, relações e estruturas administrativas precisam ser alteradas e só o governo pode fazer isso, com a participação de todos os órgãos, incluindo a sociedade civil.

*Do livro Brazilian Legacies, Nova York, 1997.

Que é uma CPI

Olá pessoal,

Sempre ouvimos o falar sobre CPI, de variados tipos, motivos, pessoas envolvidas. Por isso, achei legal termos aqui uma breve explicação do que é uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Para isso, segue abaixo o texto retirado do mundoestranho.abril.com.br, por Marina Motomura

"Primeiro, o básico: uma CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito - é um grupo de vereadores, deputados ou senadores que se reúne para investigar alguma denúncia. Esse tipo de coisa não é exclusividade brasileira: comissões assim também existem nos Estados Unidos, por exemplo. O primeiro passo para uma CPI, você sabe, é quando os parlamentares assinam um pedido para a tal comissão acontecer. Para uma CPI rolar (ou ser "instalada", como os deputados falam), pelo menos um terço dos parlamentares precisa assinar o pedido. Por exemplo: na CPI mais falada do momento, a que apura denúncias de corrupção nos Correios, 33% dos deputados e senadores autografaram o pedido no mês passado. O passo seguinte é escolher um grupo de parlamentares para conduzir as investigações. No final, o que acontece? Muita gente acha que os parlamentares podem mandar alguém para a cadeia se a CPI o considerar culpado. Não pode, não! O produto final da CPI é um relatório, que vai servir de prova para que os órgãos do poder judiciário - a Polícia Civil, Federal ou o Ministério Público, por exemplo - possam, aí sim, punir os suspeitos. Isso pode dar a impressão de que as CPIs sempre terminam em pizza. Mas não é bem assim. Um estudo da USP que analisou CPIs entre 1946 - o ano da pioneira comissão - e 1999 mostrou que 53% das 303 CPIs instaladas foram concluídas. Uma delas foi fundamental até para derrubar um presidente."